4 de ago de 2011

Contraste de Vidas




“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou causar dano a si mesmo?” (Lucas 9:25)
             Nestes últimos dias fomos surpreendidos por duas notícias de falecimento: a do teólogo, exegeta e pastor Rev. John Stott, que faleceu no dia 27, com 90 anos de idade; e a da cantora Amy Winehouse, que faleceu no dia 23, com 27 anos de idade. Ambos eram ingleses e gozavam de reconhecimento internacional, embora por públicos diametralmente distintos.
            Sem dúvida, ambos tiveram talentos e estilos de vida peculiares. Entretanto, ambos revelaram importantes aspectos sobre a vida do ser humano na face da terra. É bem verdade ser impossível avaliar a importância da vida de cada ser humano que vive ou viveu aqui na terra. Seria, creio eu, no mínimo, insensato generalizar. Cada ser humano tem propósitos a cumprir, o que compete a Deus unicamente ajuizar.
            O Rev. John Stott foi um estudioso da Bíblia e da Teologia Cristã. Foi, por um tempo, Conselheiro da Rainha Elizabeth, da Inglaterra. Publicou diversos livros de inquestionável importância, muitos deles traduzidos para o português. Um homem que se dedicou com afinco ao serviço do próximo. Fez bom uso da inteligência que Deus lhe presenteou, além de deixar exemplo positivo de amor à vida.
            Já a cantora Amy Winehouse, que era dotada de um talento musical incomum e extraordinário, deixou um exemplo negativo por conta de seu comportamento autodestrutivo, fato este que lamentamos com muita tristeza. O uso compulsivo de drogas, incluindo o álcool, que também é uma droga, denunciava o seu desamor pela vida, a sua infelicidade, os seus conflitos interiores não resolvidos e um desprezo completo pela sociedade humana. Falo de modo generalizado, pois é isto o que normalmente acontece com pessoas que optam pelo caminho das drogas. Eles fogem da realidade, desejam satisfazer uma insatisfação profunda, buscam o utópico (o não-lugar), imaginam-se poder alcançar um viés alternativo para suas existências (o que é conflitante com o curso normal da vida humana). Com apenas 27 anos de idade, foi vítima de um suicídio prolongado e, talvez, programado e aspirado.
            Não foi necessariamente a ausência de drogas que fez o Rev. John Stott viver 90 anos, nem foi o uso das drogas que reduziram a vida da cantora Amy Winehouse a 27 anos. Foi, sim, o propósito de vida de cada um: o amor ou desamor à existência; o comprometimento ou descompromisso com sua missão aqui na terra.
            Fomos criados para viver em coletividade, o isolamento, o egoísmo, a individualidade e a independência, que são postulados da pós-modernidade, geram no íntimo um vazio imenso no ser humano que, em desespero corre atrás de substitutos ineficazes. Jamais, em toda a história da humanidade, as riquezas, o poder, a fama, os prazeres, os excessos, as drogas (sob mil fórmulas diferentes), foram capazes de atender aos anseios humanos.
            Não podemos curtir a nossa existência promovendo picos de euforia e sensacionalismo todo o tempo. De show em show, de experiências inusitadas na prática de esportes radicais, nem da folia das drogas. As descargas de adrenalina que são provocadas ou induzidas, não devem ser referenciais de felicidade. Diz o livro de Provérbios: “Até no riso tem dor o coração, e o fim da alegria é tristeza” (14:13).
            A vida reclama resignação, luta, sacrifício, determinação. Temos de perseverar em tempos de escassez, de insucesso, de decepções e de descrédito. O inesperado e o indesejado acontece mesmo, e com qualquer pessoa, provocando a oportunidade para o exercício da superação. De nada adianta entregar-se às vicissitudes e vaivens da nossa caminhada aqui na terra. Fomos dotados de força interior inesgotável, comumente denominada de “capacidade de superação”, a fim de transpor estes obstáculos indesejáveis que se erguem como se fossem muralhas instransponíveis.
            O rev. John Stott sabia disto, aprendeu com Jesus que “no mundo passaria por aflições”, mas que, com bom ânimo, venceria o mundo (Jo. 16:33), assim como Cristo o venceu. Ele não se deixou iludir por propagandas fictícias e fantasiosas de um mundo impulsionado pela mola enganadora das vãs filosofias. Ele também conhecia o Provérbio: “Há caminhos que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte” (14:12).
            Como diz o nosso texto básico: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou causar dano a si mesmo?” Viver com Cristo é abraçar a esperança, confiar nos seus ensinos é acertar no estilo de vida promissor, amar o seu evangelho é trilhar por veredas seguras e inabaláveis. Sem Cristo nos autodestruímos, causamos danos irreparáveis a nós mesmos e a vida parece nunca fazer sentido.
            Vamos escolher a VIDA: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”! (Jo. 10:10). “...Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando o SENHOR, teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele; pois disto depende a tua vida e a tua longevidade...” (Dt. 30:19b-20).
Rev. Miguel Cox