8 de set. de 2011

Como era a pessoa de Jesus Cristo

A gravura  de Jesus pintada pelo próprio Públios Lentulus

Públius Lentulus antecedeu  Pôncio Pilatos como governador da Judéia, na época em que Jesus Cristo iniciou seu ministério.
O texto abaixo é a tradução de  uma carta que ele escreve a César Augusto, Imperador de Roma.  O texto original encontra-se na biblioteca do Vaticano, com sua comprovada autenticidade, tornou-se, fora da Bíblia, o documento mais importante sobre a pessoa do Senhor Jesus.

Carta do governador da Judéia, Públios Lentulus, ao César Romano

‘Soube ó César, que desejavas informações acerca desse homem virtuoso que se chama Jesus, que o povo considera um profeta, e seus discípulos, o filho de Deus, criador do céu e da terra.

Com efeito, César, todos os dias se ouvem contar dele coisas maravilhosas.
Numa palavra, ele ressuscita os mortos e cura os enfermos.
É um homem de estatura regular, em cuja fisionomia se reflete tal doçura e tal dignidade que a gente sente obrigado a amá-lo e temê-lo ao mesmo tempo.

A sua cabeleira tem até as orelhas, a cor das nozes maduras e, daí aos ombros tingem-se de um louro claro e brilhante; divide-se uma risca ao meio, á moda nazarena.
A sua barba, da mesma cor da cabeleira, e encaracolada, não longa e também repartida ao meio.
Os seus olhos severos têm o brilho de um raio de sol; ninguém o pode olhar em face.

Quando ele acusa ou verbera, inspira o temor, mas logo se põe a chorar.  Até nos rigores é afável e benévolo.
Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas muitas vezes foi visto chorando.
As suas mãos são belas como seus braços, toda gente acha sua conversação agradável e sedutora.
Não é visto amiúde em público e, quando aparece, apresenta-se modestissimamente vestido. 
O seu porte é muito distinto. É belo.

Sua mãe, aliás, é a mais bela das mulheres que já se viu neste país.
Se o queres conhecer, ó César, como uma vez me escreveste, repete a tua ordem e eu te o  andarei.
Se bem que nunca houvesse estudado, esse homem conhece todas as ciências, anda descalço e de cabeça descoberta. 
Muitos riem, quando ao longe o enxergam; desde que porém se encontram face a face com ele, tremem e admiram-no.

Dizem os hebreus que nunca viram um homem semelhante, nem doutrinas iguais às suas.
Muitos crêem que ele seja Deus, outros afirmam que é teu inimigo, ó César.
Diz-se ainda que ele nunca desgostou ninguém, antes se esforça para fazer toda gente venturosa.


PS:
O mais curioso e espetacular de tudo isso é que após a crucificação do Senhor Jesus,  Públius Lentulus tornou-se seu seguidor e, juntamente com sua filha Lívia, levou a palavra de Deus aos povos da época.

4 de ago. de 2011

Contraste de Vidas




“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou causar dano a si mesmo?” (Lucas 9:25)
             Nestes últimos dias fomos surpreendidos por duas notícias de falecimento: a do teólogo, exegeta e pastor Rev. John Stott, que faleceu no dia 27, com 90 anos de idade; e a da cantora Amy Winehouse, que faleceu no dia 23, com 27 anos de idade. Ambos eram ingleses e gozavam de reconhecimento internacional, embora por públicos diametralmente distintos.
            Sem dúvida, ambos tiveram talentos e estilos de vida peculiares. Entretanto, ambos revelaram importantes aspectos sobre a vida do ser humano na face da terra. É bem verdade ser impossível avaliar a importância da vida de cada ser humano que vive ou viveu aqui na terra. Seria, creio eu, no mínimo, insensato generalizar. Cada ser humano tem propósitos a cumprir, o que compete a Deus unicamente ajuizar.
            O Rev. John Stott foi um estudioso da Bíblia e da Teologia Cristã. Foi, por um tempo, Conselheiro da Rainha Elizabeth, da Inglaterra. Publicou diversos livros de inquestionável importância, muitos deles traduzidos para o português. Um homem que se dedicou com afinco ao serviço do próximo. Fez bom uso da inteligência que Deus lhe presenteou, além de deixar exemplo positivo de amor à vida.
            Já a cantora Amy Winehouse, que era dotada de um talento musical incomum e extraordinário, deixou um exemplo negativo por conta de seu comportamento autodestrutivo, fato este que lamentamos com muita tristeza. O uso compulsivo de drogas, incluindo o álcool, que também é uma droga, denunciava o seu desamor pela vida, a sua infelicidade, os seus conflitos interiores não resolvidos e um desprezo completo pela sociedade humana. Falo de modo generalizado, pois é isto o que normalmente acontece com pessoas que optam pelo caminho das drogas. Eles fogem da realidade, desejam satisfazer uma insatisfação profunda, buscam o utópico (o não-lugar), imaginam-se poder alcançar um viés alternativo para suas existências (o que é conflitante com o curso normal da vida humana). Com apenas 27 anos de idade, foi vítima de um suicídio prolongado e, talvez, programado e aspirado.
            Não foi necessariamente a ausência de drogas que fez o Rev. John Stott viver 90 anos, nem foi o uso das drogas que reduziram a vida da cantora Amy Winehouse a 27 anos. Foi, sim, o propósito de vida de cada um: o amor ou desamor à existência; o comprometimento ou descompromisso com sua missão aqui na terra.
            Fomos criados para viver em coletividade, o isolamento, o egoísmo, a individualidade e a independência, que são postulados da pós-modernidade, geram no íntimo um vazio imenso no ser humano que, em desespero corre atrás de substitutos ineficazes. Jamais, em toda a história da humanidade, as riquezas, o poder, a fama, os prazeres, os excessos, as drogas (sob mil fórmulas diferentes), foram capazes de atender aos anseios humanos.
            Não podemos curtir a nossa existência promovendo picos de euforia e sensacionalismo todo o tempo. De show em show, de experiências inusitadas na prática de esportes radicais, nem da folia das drogas. As descargas de adrenalina que são provocadas ou induzidas, não devem ser referenciais de felicidade. Diz o livro de Provérbios: “Até no riso tem dor o coração, e o fim da alegria é tristeza” (14:13).
            A vida reclama resignação, luta, sacrifício, determinação. Temos de perseverar em tempos de escassez, de insucesso, de decepções e de descrédito. O inesperado e o indesejado acontece mesmo, e com qualquer pessoa, provocando a oportunidade para o exercício da superação. De nada adianta entregar-se às vicissitudes e vaivens da nossa caminhada aqui na terra. Fomos dotados de força interior inesgotável, comumente denominada de “capacidade de superação”, a fim de transpor estes obstáculos indesejáveis que se erguem como se fossem muralhas instransponíveis.
            O rev. John Stott sabia disto, aprendeu com Jesus que “no mundo passaria por aflições”, mas que, com bom ânimo, venceria o mundo (Jo. 16:33), assim como Cristo o venceu. Ele não se deixou iludir por propagandas fictícias e fantasiosas de um mundo impulsionado pela mola enganadora das vãs filosofias. Ele também conhecia o Provérbio: “Há caminhos que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte” (14:12).
            Como diz o nosso texto básico: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou causar dano a si mesmo?” Viver com Cristo é abraçar a esperança, confiar nos seus ensinos é acertar no estilo de vida promissor, amar o seu evangelho é trilhar por veredas seguras e inabaláveis. Sem Cristo nos autodestruímos, causamos danos irreparáveis a nós mesmos e a vida parece nunca fazer sentido.
            Vamos escolher a VIDA: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”! (Jo. 10:10). “...Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando o SENHOR, teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele; pois disto depende a tua vida e a tua longevidade...” (Dt. 30:19b-20).
Rev. Miguel Cox

7 de jun. de 2011

A fabulosa mente humana

O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos..

Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio.... você começará a perder a noção do tempo.

Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.

Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol.

Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar:

Nosso cérebro é extremamente otimizado.

Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.

Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia.

Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade.

Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo.

É quando você se sente mais vivo.

Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e 'apagando' as experiências duplicadas.

Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente.

Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo.

Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo.

Como acontece?

Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a magem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa , no lugar de repetir realmente a experiência).

Ou seja, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente.

Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa são apagados de sua noção de passagem do tempo.

Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida.

Conforme envelhecemos as coisas começam a se repetir - as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações, -.... enfim... as experiências novas aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo.

Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.

Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a...
ROTINA.

A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.

Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e Marque).

Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos.

Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.

Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).

Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais.

Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo.

Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente.

Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes.

Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes.

Seja diferente.

Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos.. . em outras palavras... V-I-V-A. !!!

Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo.

E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o... do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.

Cerque-se de amigos.

Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.

Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é?

Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida.
E S CR EVA em tAmaNhos diFeRenTes e em CorES di fE rEn tEs !

Somos a obra prima da criação para operar as maravilhas desse Deus maravilhoso - isto é fantástico!!!

29 de abr. de 2011

Contra fatos não há argumentos...


“Porque me viste, crestes? Bem aventurados os que não viram e creram”! (João 20:29)

Esse é um princípio legal. O fato prevalece diante de qualquer argumento contrário. Gosto do relato da atitude que teve São Tomé sobre a ressurreição de Cristo. Somos levados a enxergar o contrário e pensamos: como esse cara era incrédulo! Mas, na verdade, ele desempenhou um papel crucial para que creiamos na ressurreição de Cristo.

No primeiro dia da semana, para nós o domingo, as mulheres foram ao sepulcro esperando encontrar o corpo morto de Jesus na sepultura e embalsamá-lo, conforme o costume da época. Ao chegarem lá tiveram uma grande surpresa: A pedra estava removida e havia um anjo sentado sobre ela que disse: “porque buscais entre os mortos aquele que vive? Ele não está aqui, ressuscitou como havia dito”! (Mateus 28:5,6)

Elas, por sua vez, correm e relatam aos apóstolos Pedro e João. Eles correm ao sepulcro e igualmente não viram o corpo de Cristo, mas o túmulo vazio, e creram. Neste mesmo dia Jesus aparece a dois discípulos a caminho a Emaús, conversa com eles sobre o que os profetas predisseram à cerca do Messias e desaparece. Quando todos estão reunidos, Jesus aparece no meio deles e todos creram. Menos um que não estava presente: Tomé!

Eles, por sua vez, contam a Tomé tudo o que ocorreu e que Jesus Ressuscitado havia aparecido a eles. Mas a atitude de Tomé a estes relatos era como se dissesse assim: ”que história absurda é essa! Tá vendo que eu não acredito no que vocês estão dizendo! Isto é conversa de vocês! Claro que Ele não ressuscitou”! E por oito dias seguidos, de segunda a sábado (no nosso calendário), Tomé asseverava: “Não creio! Não creio! Não creio”!

A princípio estranhamos esta reação de Tomé visto que ele era um dos doze apóstolos e estava descrendo no relato de todos os outros. Eram dez contra um (Judas já havia se excluído). Esperava-se que ele, ao menos, cresse no que os seus amigos e as mulheres que foram ao sepulcro expunham. Mas não, ele teimava em não dar crédito a eles.

Mas, acontece uma surpresa! “Passados oito dias, estavam outra vez ali reunidos os seus discípulos e Tomé como eles. Estando as portas trancadas, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco! E logo disse a Tomé: Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente. Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu! Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste?Bem aventurados os que não viram e creram” (João 20:26-29).

Tomé creu na evidência. Na prova cabal. No fato incontestável. Ele, depois deste encontro pessoal com Cristo Ressurreto, não mais podia continuar cultivando o seu ceticismo obstinado. Concluímos então que, se até Tomé creu, é que de fato a ressurreição de Cristo aconteceu. Se Tomé creu, você não tem desculpas para não crer!

Sinceramente, aqueles que ainda hoje teimam negar a Ressurreição de Cristo o fazem muito mais por um ato de rebeldia do que de incredulidade. Rebeldia, sim, pois se admitir que crer, terá de comprometer-se com Cristo, como não se quer este compromisso, nega-se obstinadamente a sua ressurreição. Só que, o grande problema é enfrentar a impossibilidade de se desmanchar um fato ocorrido. Por exemplo: o meu pai morreu, se eu disser que ele ainda está vivo, deverei apresentá-lo vivo àqueles que o conheceram. Mas eu não posso fazê-lo, pois ele morreu há nove anos atrás. Entretanto, a minha Mãe ainda está viva. E quando as pessoas me perguntam por eles, eu digo assim: O meu Pai é falecido, mas a minha Mãe ainda está viva, e as pessoas acreditam. Pois não sou nenhum louco de dizer o contrário. Eu não posso provar que a minha Mãe morreu, se ela ainda está viva, nem que o meu Pai está vivo, se ele já morreu! Não há argumentos contra estes fatos!

Da mesma forma, não há provas de que Cristo não ressuscitou. Quem jamais foi capaz de provar que Ele não reviveu? Como provar a sua permanência no túmulo? Não há (nem houve) como! Os Sacerdotes Judeus e a Guarda Romana o teriam feito! Era somente levar as pessoas até o túmulo lacrado e fazer uma exumação de cadáver. Mas não o fizeram. Por quê? Porque não mais havia túmulo lacrado nem cadáver dentro dele! A pedra fora removida e o túmulo estava vazio.

Os túmulos dos fundadores das religiões estão por aí, espalhados pelo mundo inteiro e são visitados por milhares de devotos e turistas. Mas o que dizem ser o de Cristo, ele está vazio! E isto é FATO!

Cinquenta dias após da Ressurreição de Cristo estavam os apóstolos em Jerusalém, na cidade onde Cristo fora crucificado, anunciando para as multidões que Ele havia ressuscitado dentre os mortos (Atos 2). E por que não provaram o contrário, repito, com uma exumação de cadáver? Simplesmente porque não havia cadáver!

Mas, concluindo, não foi apenas Tomé que creu depois da evidência indiscutível. TODOS os apóstolos e as mulheres, só creram porque viram, ouviram, abraçaram, dialogaram, enfim, conviveram com Jesus Cristo ressuscitado! Há provas incontestáveis da sua ressurreição. Abrindo as páginas da Bíblia encontrá-las-emos!

Bem aventurados! Felizes! Afortunados! São aqueles que não O viram, mas creram!

Texto do Rev. Miguel Cox

2 de mar. de 2011

O insolúvel conflito entre religião e evangelho






Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que Ele estava na cidade. Muitos afluíram para o lugar onde Ele estava, tantos que nem mesmo junto à porta eles achavam lugar; e Jesus anunciava-lhes a Palavra. Alguns foram ter com Ele conduzindo um paralítico, levado por quatro homens. E, não podendo aproximar-se Dele, por causa da multidão, descobriram o telhado no ponto correspondente ao em que Ele estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o doente.

_________________________________

Em que igreja alguém teria a liberdade de quebrar o telhado e baixar alguém para dentro do culto sem ser preso ou ter que indenizar a igreja por danos no telhado?

_________________________________

Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados.

_________________________________

Pode haver desejo mais puro, mais humano, mais divino e mais sublime, do que este desejo de que os pecados sejam perdoados? Qualquer interpretação maligna viria do fato que eles sabiam que Jesus não só falava sério, mas que o que Ele dizia era também verdade para quem ouvia.

_________________________________

Mas alguns dos escribas estavam assentados ali e arrazoavam em seu coração: Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus?

_________________________________

Somente almas adoecidas pelos ritos morais de doutrinas de pedra podem se infelicitar com a afirmação de que os pecados de um outro homem estão perdoados. Questionar tal realidade é questionar a essência do ensino de Jesus quanto ao fato que Ele mesmo ordenou que Seus discípulos perdoassem pecados, como Deus mesmo perdoa. O cerne do ensino de Jesus acerca de Deus em relação aos homens, e dos homens em relação uns aos outros, é que pecados são perdoados. Mas isto escandaliza a religião, posto que ela se julga a detentora do poder de dizer quando ou não Deus perdoou ou deve ter perdoado algum pecado.

_________________________________

E Jesus, percebendo logo por seu espírito que eles assim arrazoavam, disse-lhes: Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração? Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda? Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados— disse ao paralítico: Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa. Então, ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de se admirarem todos e darem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim!

_________________________________

O Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados! A ironia é que os homens crêem muito mais que paralíticos podem ser curados do que pecados podem ser perdoados. Aceitar que o Filho do Homem tem autoridade para perdoar pecados, e, aceitar que os pecados estão perdoados, os nossos ou os dos outros, é que é um grande desafio para a alma. Por isso todos crêem em ‘milagres’, mas poucos crêem em perdão; no seu próprio e no concedido e recebido por outros.

_________________________________

De novo, saiu Jesus para junto do mar, e toda a multidão vinha ao seu encontro, e Ele os ensinava. Quando ia passando, viu a Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.

_________________________________

Procurar a Levi no escritório, no lugar das cobranças de impostos, o qual estava lotado de devedores, os quais bem conheciam quem era Levi, ou Mateus, era algo profundamente provocativo em todas as perspectivas. Mas Jesus escolhe o homem mal visto para ver o bem.

_________________________________

Achando-se Jesus à mesa na casa de Levi, estavam juntamente com Ele e com Seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque estes eram em grande número e também o seguiam.

_________________________________

O fato de Mateus ter sido convidado e aceito andar com Jesus, certamente criou no coração de todos os cobradores de impostos [publicanos] e de todos os demais indivíduos que se sentiam marginalizados pela religião e suas leis e morais [os pecadores], bastante confiança diante de Jesus. Ele não julgava as pessoas e nem se deixava seqüestrar por estereótipos. Por isso os homens normais confiavam Nele.

_________________________________

Os escribas dos fariseus, vendo-o comer em companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos discípulos Dele: Por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores?

_________________________________

Comer e beber sempre foram gestos de amizade e companheirismos. A palavra companheiro significa ‘aquele que divide o pão’—com-pan... Mas nos dias de Jesus aquele ato e com aquelas pessoas evocava uma união e uma identidade que assustava a casta dos religiosos, com suas Morais Separatistas, com seus Apartheides e com seus Campos de Separação dos demais homens. Assim, comer com publicanos e pecadores—coisa simples e normal, comum, sadia, e própria da vida—, se torna algo imenso, descomunal, carnal, impróprio, impuro, sacrílego, blasfemo. A alma que se torna moral nos sentido julgador da palavra tem em si o poder de chamar à existência as coisas que não existem. Neste caso, neste texto, nada estava acontecendo. Jesus estava apenas comendo com outros seres humanos. Mas a religião não reconhece humanidade senão nos que são clonados por ela.

_________________________________

Tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores.

_________________________________

Jesus veio para todo aquele que diz: “Miserável homem sou!”; ou para quem diz: “Sou o maior dos pecadores”; ou até para quem diz como Friedrich Nietzsche: “Se realmente existe um Deus vivo, sou o mais miserável dos homens.” Os fariseus ouvem Nietzsche, e dizem: “Vejam! Ele próprio se condena!” Jesus, porém, pode ouvir de outra maneira, de tal modo que até o que a religião ouve como blasfêmia, pode, para Jesus, ser apenas confissão de necessidade. Mas os fariseus não podem se igualar desta forma aos homens. Eles podem até se dizer doentes. Porém, sempre dirão que ‘eram’ doentes, ‘antes’ de conhecerem a sua religião de agora. Mas jamais se colocarão em igualdade com os doentes crônicos, e que se internam para o resto da vida aos pés de Jesus.

_________________________________

Ora, os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando. Vieram alguns e lhe perguntaram: Por que motivo jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam?

_________________________________

Ninguém perdia a chance de tentar enquadrar a Jesus. Ele tinha que ceder. Alguma concessão à idiotice Ele teria que fazer. Sim, Ele precisa transigir, como fazem todos os seres que guardam alguma forma de interesse nas importâncias deste mundo. Por isso, talvez animados pelo fato de que Jesus demonstrava respeitar e amar João Batista, alguns fariseus ousaram tentar pegar Jesus em alguma forma de cooptação. Se Ele desse um dia para que tal coisa acontecesse, ou se aceitasse que se instituísse O Dia do Jejum de Jesus, na mesma hora tudo o que Ele ensinava viraria religião, e perderia o poder subversivo do Reino de Deus.

_________________________________

Respondeu-lhes Jesus: Podem, porventura, jejuar os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo em que estiver presente o noivo, não podem jejuar. Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; e, nesse tempo, jejuarão. Ninguém costura remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo novo tira parte da veste velha, e fica maior a rotura. Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres; e tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos.

_________________________________

Jesus lhes diz que ser Seu discípulo é discernir e possuir senso de propriedade. Não se faz jejum em dia de festa. No entanto, Jesus vai mais além, e os provoca evocando uma imagem de Festa, de Bodas do Noivo, de algo que tinha suas raízes no chão da maior alegria humana—o casamento—, mas que também remetia para a imagem e o arquétipo de uma Boda Escatológica. Ele diz que há algo Do Outro Mundo acontecendo entre eles, enquanto eles pensam em jejuar. Jesus diz que quem fosse Seu discípulo, então, que entrasse naquela festa de publicanos e pecadores, pois, era ali que estava o Reino de Deus; posto que onde quer que Jesus seja bem-vindo, aí o Reino faz pouso. No entanto, Ele prossegue também denunciando a impossibilidade de que aquela ‘nova’ maneira de ver a vida pudesse ser aceita por ‘olhos antigos’. Ele diz que não tentará fazer tal implante de consciência. Na realidade, Ele diz que seria e ficaria ainda pior. Ele sabe que certas consciências se cristalizam em certos estados, e começam a perder o viço da vida. Aceitar a vida no Reino e seu espírito de Bodas é inaceitável para aqueles que vivam do luto. Aquelas pesadas estruturas de tradição jamais aceitariam o Evangelho do reino. Assim, Ele também indica que o novo estava no mundo, entre publicanos e pecadores, nas esquinas, nas vielas, nas ruas, nas festas, nos caminhos, e nas veredas todas desta existência, onde houver alguém querendo. Jesus também ensinava que nem mesmo perder tempo quebrando paradigmas Ele perderia. Ele diz que põe novo no novo e não insiste em meter o novo no velho. É grande o estrago... Com isto Ele diz que estruturas mentais que se tornam coletivas e engessadas, são como algo que envelhece como pano ou saco de couro de odres de vinho. Para Ele elas deveriam acabar por si mesmas. Mas não há aqui uma fixação de nenhum estado de inconversibilidade. Qualquer individuo pode mudar. Mas o espírito de um tempo não se converte.

_________________________________

Ora, aconteceu atravessar Jesus, em dia de sábado, as searas, e os discípulos, ao passarem, colhiam espigas. Advertiram-no os fariseus: Vê! Por que fazem o que não é lícito aos sábados?

_________________________________

Agora a questão é o dia do Descanso Obrigatório, o Sábado, pois é isto aquilo no que ele se tornara. Era lícito segundo a Lei de Moises que as espigas das esquinas fossem deixadas aos pobres e necessitados, para que não houvesse fome na terra, mesmo que alguém não tivesse uma propriedade. A questão, no entanto, é se no Sábado isto poderia ser feito. Essa era a preocupação da religião, sempre aflita pelas causas importantes (rsrsrs), e sempre disposta a defender Deus das irreverências dos homens. Parecia que Deus não teria descanso se tudo não parasse na Terra. O homem teria que morrer de fome por amor a Deus nas beiradas dos campos de cheios de espigas de vida. O Deus da religião é do tamanho da mediocridade e da mesquinhez dos fariseus.

_________________________________

Mas ele lhes respondeu: Nunca lestes o que fez Davi, quando se viu em necessidade e teve fome, ele e os seus companheiros? Como entrou na Casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu os pães da proposição, os quais não é lícito comer, senão aos sacerdotes, e deu também aos que estavam com ele?

_________________________________

Jesus então escracha. Literalmente. Afinal, eles falavam de algo que existia em campo aberto e que poderia ser licito ou não dependendo do dia—no caso, o Sábado—; mas Jesus vai além, e coloca logo um questão—perguntando se nunca haviam lido acerca do assunto—que está muito mais para além de todas as expectativas. Ele diz que Davi comeu o pão sagrado, e comeu daquilo que era proibido comer em qualquer dia, e por qualquer pessoa que não fosse o sacerdote, e, ainda assim, conforme o rito..., e não pecou por isso. Assim, Jesus diz que a necessidade é maior do que qualquer lei da religião, e que o sagrado se faz santificado pela necessidade que é essencial à vida. Além disso, Ele declara o sacerdócio de Céu Aberto que Ele inaugurava, no qual todos os homens poderiam ganhar a consciência livre para saber a diferença entre o atender a uma necessidade básica da vida, e uma transgressão.

_________________________________

E acrescentou: O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado.

_________________________________

Jesus se identifica com os humanos ao dizer que o Sábado foi feito para o homem, e não o contrário; para então concluir que sendo Ele humano, e, entre os humanos, o Filho do Homem; tanto pela Sua humanidade, quanto também pela Soberania do Significado dela, Ele era o Senhor do Sábado. Todavia, o tom no qual Ele se apresenta como o Filho do Homem é de Senhor do Sábado, o que equivale a Senhor da Criação. Aquele que diz quando é a hora do descanso. Para os ouvidos puristas e doentes de religiosidade dogmática e tradicional como os dos fariseus, aquela declaração era como alfinete nas nádegas da alma religiosa. Simplesmente não dava para ser menos explicito. Quem falava era o Senhor Homem.

________________________________

De novo, entrou Jesus na sinagoga e estava ali um homem que tinha ressequida uma das mãos. E estavam observando a Jesus para ver se o curaria em dia de sábado, a fim de o acusarem. E disse Jesus ao homem da mão ressequida: Vem para o meio! Então, lhes perguntou: É lícito nos sábados fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou tirá-la? Mas eles ficaram em silêncio.

_________________________________

Tudo começou com Jesus sendo provocado acerca de Sua amizade com pecadores. Depois Ele deu respostas. Agora Ele mesmo toma a iniciativa da provocação. Entra na Sinagoga e provoca. Põe um problema. E mais do que isto: Ele assume que para a mente religiosa fazer o que Ele faria seria uma “transgressão”, e faz assim mesmo. E faz tudo se explicar pelas razões de um coração paterno.

_________________________________

Olhando-os ao redor, indignado e condoído com a dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a mão. Estendeu-a, e a mão lhe foi restaurada. Retirando-se os fariseus, conspiravam logo com os herodianos, contra ele, em como lhe tirariam a vida. Retirou-se Jesus com os seus discípulos para os lados do mar. Seguia-o da Galileia uma grande multidão. Também da Judéia, de Jerusalém, da Iduméia, dalém do Jordão e dos arredores de Tiro e de Sidom uma grande multidão, sabendo quantas coisas Jesus fazia, veio ter com ele.

_________________________________

Ao fim desse intenso encontro as motivações ficam estabelecidas. A religião precisa matar Aquele que a desestabiliza tão radicalmente, tirando de suas mãos o poder e o controle. Já o caminho do Reino segue para o ar livre, não para os conluios da morte e nem para a conspiração dos mesquinhos e empedernidos de justiça própria, mas sim para as gentes, para todas as pessoas, abrindo-se em todas as direções, suscitando desejo por Deus em corações muito diferentes entre si. Todos, porém, abertos para Jesus. Esta é apenas uma página do Evangelho Segundo Marcos, mas poderia ser muito bem o resumo histórico acerca de como a Religião trata o Evangelho.

Nele, que é maior que todas as religiões e não cabe em nenhuma delas.

Rev. Caio Fábio


28 de dez. de 2010

Decepcionado com Deus

Um dos aspectos encantadores da Bíblia é que os seus ‘heróis’ são feitos da mesma natureza que você e eu - carne e osso !

Enquanto a literatura do mundo antigo é repleta de idealizações que só cabem nas fábulas, as Sagradas Escrituras mostram os dois lados da criatura.

A coragem e a covardia que habita nas profundezas da alma de todos os seres humanos. O homem fiel e o infiel...

Sombra e luz - traços de um mesmo ser e faces antagônicas de uma mesma moeda.

Habacuque é um dos profetas do Antigo Testamento e o seu nome significa literalmente ‘abraçar’.

Lendo o seu livro senti-me abraçado pela última frase do último capítulo - ‘O Senhor me dá pés como os da corça e me faz andar sobre lugares altos’.

O mais interessante de tudo isso é que esse texto começa falando sobre a sua profunda ‘decepção’ com Deus.

Habacuque destila toda a sua indignação pelo silencio divino diante da urgente necessidade de socorro do seu povo.

O profeta esperneia, grita e chora...

Diante das inumeráveis injustiças cometidas contra os seus irmãos, ele nada mais espera a não ser que Deus aplique uma antiga regra criada por seus pais – olho por olho, dente por dente, o famoso código de Hamurabi.

Habacuque está tomado de raiva em razão da violência dos seus dias.

Os caldeus, cruéis e sanguinários, tinham cometido todo tipo de torpeza contra as nações e agora ameaçavam tomar Israel das mãos do seu povo.

E o profeta urra clamando a intervenção de Deus, mas nada acontece...

Meu Deus, quantos dias eu também sinto essas pulsões Habacuquinianas...

Não consigo consolo diante de tantos absurdos de um mal que parece prevalecer...

A televisão invade a minha casa com sutilezas letais – são porcarias policialescas e toda sorte de perversão possível: traição, esperteza, ganância, infidelidade, prostituição...

Lembro dos versos tristes do poeta Olavo Bilac – ‘Maldita sejas pelo Ideal perdido! Pelo mal que fizeste sem querer e pelo amor que morreu sem ter nascido!’

Lembro do profeta e também levanto a voz e grito ao silencio do meu coração:

Até quando, Senhor? Até quando?


- Na verdade Deus não nos tira do lodo, ELE nos dá força suficiente para dali sair.

- O Senhor Jesus nos fala de um amanhã em que o amor irá progressivamente esfriar de quase todos - (Mateus 24).

- Os pés da corça simbolizam agilidade e destreza, visto que ela procura sempre os lugares mais altos para estar mais segura dos lobos do deserto.

Lobos foram criados para viver em cavernas e os homens para viver em lugares altos.

Isso quer dizer que Deus quer ver você vivendo acima das dificuldades, das lamentações, das invejas, das circunstâncias e das chocarrices...

Lembre-se sempre que faz parte do aprendizado da subida, resvalar vez por outra nas encostas...

E que o Senhor Jesus é a nossa força para subir e alcançar o ar puro das alturas...

Porque tudo posso Naquele que me fortalece!

George Arribas


20 de jun. de 2010

Religiosidade é algo mais ou menos assim...


Desça do Ônibus

Para quem não sabe, semanas atrás os jogadores do Santos foram convidados a ir a um hospital em que são tratadas crianças portadoras de deficiências mentais. Já na porta do hospital, alguns jogadores ficaram sabendo que ele está ligado a entidades espíritas e, imediatamente, se recusaram a entrar no hospital, sob a alegação de que sua religião, não declarada no momento, mas presumivelmente evangélica, os proíbe de contatos com o espiritismo. Recusaram-se, assim, a manter contato com as crianças doentes. Outros jogadores entraram no hospital e cumpriram a tarefa para a qual haviam se deslocado até ali.

Criticado, como os demais do grupo resistente, Robinho exigiu:

"- É preciso que respeitem a religião da gente".

Texto sobre o episódio envolvendo os jogadores do Santos numa visita ao Lar Espírita Mensageiros da Luz, que cuida de crianças com deficiência cerebral, para entregar ovos de Páscoa. Uma parte dos atletas, entre eles, Robinho, Neymar, Ganso e Fabio Costa, se recusaram a entrar na entidade e preferiram ficar dentro do ônibus do clube, sob a alegação que são evangélicos.

Sou pastor evangélico e santista desde pequenino, porém, os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa. Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.

A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé. A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais Bíblia e de cada uma das tradições de fé.

Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno, ou se Deus é a favor ou contra a prática do homossexualismo, ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião.

Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião.

Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.

O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância.

A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai.

E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixem de existir enquanto outros e se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.

Mas quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz.

Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, fazem com que os discordantes no mundo das crenças se dêem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.

Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina – ou pelo menos deveria ensinar - você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e miséria de uma paralisia mental.

"Temos bastante religião para fazer-nos odiar uns aos outros, mas não espiritualização o bastante para que nos amemos uns aos outros" (Jonathan Swift )
Rev. Ed René Kivitz
Posted by Picasa

18 de jun. de 2010

A Cigarra e Formiga Gospel


Era uma vez uma cigarra que vivia saltitando e cantando pelo bosque as músicas dos principais cantores gospel.
Certa vez, enquanto decretava as bênçãos de Deus sobre a sua vida, a cigarra esbarrou numa formiguinha, que carregava uma folha pesada.
Ao ver a cena inusitada, a cigarra falou:
- Ei, formiguinha, para que todo esse trabalho? O verão é para gente aproveitar! O verão é para gente se divertir! Somos filhos do Rei! Somos herdeiros de Deus! Eu aprendi com o meu apóstolo que as bênçãos de Deus vem através dos decretos espirituais. Além disso, eu vi na televisão, um pastor dizendo que a prosperidade vem quando semeio ofertas em sua conta bancária. Eu creio nisso, e já até fiz um ato profético determinando a vitória em Cristo.
Ao ouvir a cigarra a formiga replicou dizendo:
- Não, não, não! Não é assim. A prosperidade vem pelo trabalho. Deus abençoa aqueles que trabalham. É preciso trabalhar agora para guardar comida para o inverno.
Ao ouvir a réplica da formiga, a cigarra pensou com seus botões: Pobre formiga, não entendeu a visão! É uma derrotada!

No dia seguinte a cigarra passou de novo perto da formiguinha que carregava outra pesada folha e disse:
-Deixa esse trabalho para as outras! Vamos nos divertir. Vamos, formiguinha, vamos cantar! Vamos dançar! Tudo que Jesus conquistou na cruz é direito seu é direito nosso! Todavia, a formiguinha permaneceu firme no seu propósito de continuar trabalhando. Contudo, movida por compaixão e misericórdia a formiga disse a amiga:
- Cigarra, se não mudar de vida, no inverno você há de se arrepender, vai passar fome e frio.
A cigarra nem ligou, antes pelo contrário, repreendeu a formiga dizendo:
Tá amarrado em nome de Jesus! Tudo posso naquele que me fortalece!

Infelizmente para cigarra, o que importava era aproveitar a vida, e decretar a bênção.
Para que armazenar alimento? Pura perda de tempo!
Afinal de contas ela já tinha adquirido a Bíblia da prosperidade e com isso a imunidade às crises deste mundo.

O tempo passou e com ele o verão. Certo dia o inverno chegou, e a cigarra começou a tremer de frio. Sentia seu corpo gelado e não tinha o que comer. Desesperada, foi bater na casa da formiga. Abrindo a porta, a formiga viu na sua frente a cigarra quase morta de frio que desesperada clamava:
- Formiguinha, me ajude por favor, estou morrendo de frio.
Ao ver o desepero da cigarra a formiga disse: - Ué? Mas você não tinha decretado a bênção? Não semeou as sementes da prosperidade?
O que aconteceu?
A cigarra constrangida respondeu: - Pois é minha amiga, eu estava errada. Fui enganada por esses falsos pastores e apóstolos e agora estou na mais profunda miséria.

Da mesma forma, como essa 'formiguinha gospel', vivem muitos irmãos enganados por doutrinas absurdas, com falsas promessas e profetadas de muitos psicopatas que se dizem pastores e apóstolos do Senhor Jesus.

Rev. Renato Vargens
Posted by Picasa

9 de jan. de 2010

Cartas a um Jovem Poeta


Rainer Maria Rilke

Cartas a um jovem poeta (Primeira carta)

Paris, 17 de fevereiro de 1903

Prezadíssimo Senhor, Sua carta alcançou-me apenas há poucos dias.

Quero agradecer-lhe a grande e amável confiança. Pouco mais posso fazer. Não posso entrar em considerações acerca da feição de seus versos, pois sou alheio a toda e qualquer intenção crítica. Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que palavras de crítica, que sempre resultam em mal-entendidos mais ou menos felizes. As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizíveis quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou. Menos suscetíveis de expressão do que qualquer outra coisa são as obras de arte, — seres misteriosos cuja vida perdura, ao lado da nossa, efêmera.

Depois de feito este reparo, dir-lhe-ei ainda que seus versos não possuem feição própria, somente acenos discretos e velados de personalidade. É o que sinto com a maior clareza no último poema Minha alma. Aí, algo de peculiar procura expressão e forma. No belo poema A Leopardi talvez uma espécie de parentesco com esse grande solitário esteja apontando. No entanto, as poesias nada têm ainda de próprio e de independente, nem mesmo a última, nem mesmo a dirigida a Leopardi. Sua amável carta que as acompanha não deixou de me explicar certa insuficiência que senti ao ler seus versos sem que a pudesse definir explicitamente. Pergunta se os seus versos são bons.

Pergunta-o a mim, depois de o ter perguntado a outras pessoas. Manda-os a periódicos, compara-os com outras poesias e inquieta-se quando suas tentativas são recusadas por um ou outro redator. Pois bem — usando da licença que me deu de aconselhá-lo — peço-lhe que deixe tudo isso. O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento.

Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, — ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: "Sou mesmo forçado a escrever?” Escave dentro de si uma resposta profunda.

Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade.

Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde.

Não escreva poesias de amor. Evite de início as formas usais e demasiado comuns: são essas as mais difíceis, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para se produzir algo de pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes.

Eis por que deve fugir dos motivos gerais para aqueles que a sua própria existência cotidiana lhe oferece; relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza — relate tudo isto com íntima e humilde sinceridade.

Utilize, para se exprimir, as coisas do seu ambiente, as imagens dos seus sonhos e os objetos de sua lembrança. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse.

Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas.

Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, esta esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações? Volte a atenção para ela. Procure soerguer as sensações submersas deste longínquo passado: sua personalidade há de reforçar-se, sua solidão há de alargar-se e transformar-se numa habitação entre o lusco e fusco diante do qual o ruído dos outros passa longe, sem nela penetrar. Se depois desta volta para dentro, deste ensimesmar-se, brotarem versos, não mais pensará em perguntar seja a quem for se são bons. Nem tão pouco tentará interessar as revistas por esses seus trabalhos, pois há de ver neles sua querida propriedade natural, um pedaço e uma voz de sua vida. Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade. Neste caráter de origem está o seu critério, — o único existente.

Também, meu prezado Senhor, não lhe posso dar outro conselho fora deste: entrar em si e examinar as profundidades de onde jorra sua vida; na fonte desta é que encontrará resposta à questão de saber se deve criar. Aceite-a tal como se lhe apresentar à primeira vista sem procurar interpretá-la. Talvez venha significar que o Senhor é chamado a ser um artista. Nesse caso aceite o destino e carregue-o com seu peso e a sua grandeza, sem nunca se preocupar com recompensa que possa vir de fora. O criador, com efeito, deve ser um mundo para si mesmo e encontrar tudo em si e nessa natureza a que se aliou.

Mas talvez se dê o caso de, após essa decida em si mesmo e em seu âmago solitário, ter o Senhor de renunciar a se tornar poeta. (Basta como já disse, sentir que se poderia viver sem escrever para não mais se ter o direito de fazê-lo). Mesmo assim, o exame de sua consciência que lhe peço não terá sido inútil. Sua vida, a partir desse momento, há de encontrar caminhos próprios. Que sejam bons, ricos e largos é o que lhe desejo, muito mais do que lhe posso exprimir.

Que mais lhe devo dizer? Parece-me que tudo foi acentuado segundo convinha. Afinal de contas, queria apenas sugerir-lhe que se deixasse chegar com discrição e gravidade ao termo de sua evolução. Nada a poderia perturbar mais do que olhar para fora e aguardar de fora respostas a perguntas a que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa.

Foi com alegria que encontrei em sua carta o nome do professor Horacek; guardo por este amável sábio uma grande estima e uma gratidão que desafia os anos. Fale-lhe, por favor, neste meu sentimento. É bondade dele lembrar-se ainda de mim; e eu sei apreciá-la.

Restituo-lhe ao mesmo tempo os versos que me veio confiar amigavelmente. Agradeço-lhe mais uma vez a grandeza e a cordialidade de sua confiança. Procurei por meio desta resposta sincera, feita o melhor que pude, tornar-me um pouco mais digno dela do que realmente sou, em minha qualidade de estranho.

Com todo o devotamento e toda a simpatia,
Rainer Maria Rilke
Posted by Picasa