20 de jun de 2010

Religiosidade é algo mais ou menos assim...


Desça do Ônibus

Para quem não sabe, semanas atrás os jogadores do Santos foram convidados a ir a um hospital em que são tratadas crianças portadoras de deficiências mentais. Já na porta do hospital, alguns jogadores ficaram sabendo que ele está ligado a entidades espíritas e, imediatamente, se recusaram a entrar no hospital, sob a alegação de que sua religião, não declarada no momento, mas presumivelmente evangélica, os proíbe de contatos com o espiritismo. Recusaram-se, assim, a manter contato com as crianças doentes. Outros jogadores entraram no hospital e cumpriram a tarefa para a qual haviam se deslocado até ali.

Criticado, como os demais do grupo resistente, Robinho exigiu:

"- É preciso que respeitem a religião da gente".

Texto sobre o episódio envolvendo os jogadores do Santos numa visita ao Lar Espírita Mensageiros da Luz, que cuida de crianças com deficiência cerebral, para entregar ovos de Páscoa. Uma parte dos atletas, entre eles, Robinho, Neymar, Ganso e Fabio Costa, se recusaram a entrar na entidade e preferiram ficar dentro do ônibus do clube, sob a alegação que são evangélicos.

Sou pastor evangélico e santista desde pequenino, porém, os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa. Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.

A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé. A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais Bíblia e de cada uma das tradições de fé.

Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno, ou se Deus é a favor ou contra a prática do homossexualismo, ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião.

Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião.

Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.

O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância.

A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai.

E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixem de existir enquanto outros e se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.

Mas quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz.

Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, fazem com que os discordantes no mundo das crenças se dêem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.

Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina – ou pelo menos deveria ensinar - você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e miséria de uma paralisia mental.

"Temos bastante religião para fazer-nos odiar uns aos outros, mas não espiritualização o bastante para que nos amemos uns aos outros" (Jonathan Swift )
Rev. Ed René Kivitz
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18 de jun de 2010

A Cigarra e Formiga Gospel


Era uma vez uma cigarra que vivia saltitando e cantando pelo bosque as músicas dos principais cantores gospel.
Certa vez, enquanto decretava as bênçãos de Deus sobre a sua vida, a cigarra esbarrou numa formiguinha, que carregava uma folha pesada.
Ao ver a cena inusitada, a cigarra falou:
- Ei, formiguinha, para que todo esse trabalho? O verão é para gente aproveitar! O verão é para gente se divertir! Somos filhos do Rei! Somos herdeiros de Deus! Eu aprendi com o meu apóstolo que as bênçãos de Deus vem através dos decretos espirituais. Além disso, eu vi na televisão, um pastor dizendo que a prosperidade vem quando semeio ofertas em sua conta bancária. Eu creio nisso, e já até fiz um ato profético determinando a vitória em Cristo.
Ao ouvir a cigarra a formiga replicou dizendo:
- Não, não, não! Não é assim. A prosperidade vem pelo trabalho. Deus abençoa aqueles que trabalham. É preciso trabalhar agora para guardar comida para o inverno.
Ao ouvir a réplica da formiga, a cigarra pensou com seus botões: Pobre formiga, não entendeu a visão! É uma derrotada!

No dia seguinte a cigarra passou de novo perto da formiguinha que carregava outra pesada folha e disse:
-Deixa esse trabalho para as outras! Vamos nos divertir. Vamos, formiguinha, vamos cantar! Vamos dançar! Tudo que Jesus conquistou na cruz é direito seu é direito nosso! Todavia, a formiguinha permaneceu firme no seu propósito de continuar trabalhando. Contudo, movida por compaixão e misericórdia a formiga disse a amiga:
- Cigarra, se não mudar de vida, no inverno você há de se arrepender, vai passar fome e frio.
A cigarra nem ligou, antes pelo contrário, repreendeu a formiga dizendo:
Tá amarrado em nome de Jesus! Tudo posso naquele que me fortalece!

Infelizmente para cigarra, o que importava era aproveitar a vida, e decretar a bênção.
Para que armazenar alimento? Pura perda de tempo!
Afinal de contas ela já tinha adquirido a Bíblia da prosperidade e com isso a imunidade às crises deste mundo.

O tempo passou e com ele o verão. Certo dia o inverno chegou, e a cigarra começou a tremer de frio. Sentia seu corpo gelado e não tinha o que comer. Desesperada, foi bater na casa da formiga. Abrindo a porta, a formiga viu na sua frente a cigarra quase morta de frio que desesperada clamava:
- Formiguinha, me ajude por favor, estou morrendo de frio.
Ao ver o desepero da cigarra a formiga disse: - Ué? Mas você não tinha decretado a bênção? Não semeou as sementes da prosperidade?
O que aconteceu?
A cigarra constrangida respondeu: - Pois é minha amiga, eu estava errada. Fui enganada por esses falsos pastores e apóstolos e agora estou na mais profunda miséria.

Da mesma forma, como essa 'formiguinha gospel', vivem muitos irmãos enganados por doutrinas absurdas, com falsas promessas e profetadas de muitos psicopatas que se dizem pastores e apóstolos do Senhor Jesus.

Rev. Renato Vargens
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