20 de dez de 2008

Somos inacabados...

Bispo Alexandre Ximenes
"A palavra AMOR, está desgastada e é usada para qualquer tipo de aventura"

Um resumo de sua vida

A experiência de conversão de Alexandre Ximenes se deu aos 11 anos numa campanha evangelística realizada num estadio de futebol. O pregador foi o Rev. Antônio Elias, falecido aos 97 anos no ano passado.
A vocação sacerdotal veio 7 anos mais tarde num retiro de carnaval realizado em uma fazenda no interior da Paraíba.

Ali ele afirmou ter a convicção de que Deus tinha um plano para a sua vida e que no cumprimento do mesmo estaria a sua realização e felicidade. Iniciou um curso teológico em 1968 que foi concluído em 1972 na cidade de Belo Horizonte - Minas Gerais, daí a sua predileção pela 'vaca atolada' ( prato típico mineiro).
Alguns anos depois (1982) foi para os Estados Unidos fazer sua pós-graduação onde ficou durante dois anos.
Exerceu o sacerdócio em Capina Grande(PB), João Pessoa(PB), Maceió e desde 2003 está na Igreja Episcopal Carismática do Brasil em Recife (PE).
Viveu nove anos em Porto Alegre (RS), tendo antes servido por um tempo muito abençoado na VINDE ( Visão Nacional de Evangelização) em Niterói(RJ)
.

Publicamos abaixo a entrevista ao jornal
Gazeta do Estado de Pernambuco
Gazeta - O que muda na vida de um homem quando ele começa uma vida em Cisto, ou seja, procura praticar o evangelho?
Bp.Alexandre Ximenes - Várias mudança ocorrem. A primeira é uma mudança de mante! Os valores, princípios, hábitos, passam a outra realidade. É o que chamamos de conversão. Tem início aí, uma luta que vai durar por toda a vida. A luta interior entre o que somos e o que Deus quer que sejamos. É o processo da construção do caráter de Jesus Cristo em nós. Isso dura a vida inteira e nenhum ser humano, seja sacerdote, pregador, missionário, pode se dizer completo. Somos todos inacabados, mas estamos a caminho. Só na eternidade, com Deus, seremos plenos e completos.

Gazeta - A que o senhor atribui a falta de religiosidade nas pessoas?
Bp.Alexandre Ximenes - São vários os fatores. O relaxamento das famílias na formação dos filhos; o psiquismo da época presente, repleto de materialismo; pressão por sucesso( leia-se TER coisas); competitividade predatória;etc.
Houve uma permuta lenta e quase letal de qualidade de vida por padrão. Não há, também, como negar, a decepção com as Instituições Religiosas, com líderes sem ética, com uma mensagem da igreja que nem sempre responde aos conflitos do momento, enfim, muitas são as causas, mas, o prejuízo é enorme. Basta ver a promiscuidade, a violência, a relativização de valores, a implosão de princípios.


Gazeta - Quem mais deve ser trabalhado espiritualmente o homem ou a mulher?

Bp.Alexandre Ximenes - Tanto o homem quanto a mulher devem ser trabalhados espiritualmente. Esta não é uma necessidade do macho ou da fêmea, mas do ser humano. Dostóievski afirmou que o coração do ser humano tem um vazio na forma de Deus. Esteja ele na sofisticada Manhattan, na glamourosa Paris ou entre os Zulus da África do Sul, pouco importa, o ser humano, independentemente do verniz que o cobre, tem as mesmas necessidades, e, dentre elas, sem dúvida, a fome espiritual.

Gazeta - O que o Senhor acha mais absurdo no comportamento dos jovens de hoje?
Bp.Alexandre Ximenes - Temos que ter muito cuidado quando alamos nos jovens. Eles têm muitas e grandes virtudes, e, dentre elas destaco a sinceridade! O jovem odeia a hipocrisia. Na verade, eles são fruto e resultado de uma semente que foi plantada. Quando faltam os limites na infância, na adolescência; quando jamais recebem uum NÃO; tudo isto, somado a um enorme número de fatores do dia-a-dia, faz com que eles sejam em grande parte, agressivos, dependentes e, lamentavelmente suicidas em potencial. A crise da juventude tem origem: O LAR! É aí que as coisas acontecem.

Gazeta - A que o senhor atribui a curta duração dos casamentos atuais?
Bp.Alexandre Ximenes - Vivemos a época da chamada Pós- Modernidade. Uma das características destes dias é o hedonismo, quase uma ditadura do prazer. Casamento envolve prazer, mas, envolve também compromisso. A palavra amor está desgastada e é usada para qualquer tipo de aventura. Também um maior preparo para vida do casal. Por essa razão, a nossa Igreja Episcopal Carismática tem um curso para noivos que tenta minimizar as lacunas existentes na área.
Também os referencias oferecidos aos jovens são precários, fúteis e não geram o apetite do compromisso. Sempre digo que sem amor não há casamento, mas, digo também que só o amor não mantém casamento.
No casamento há uma união de hábitos, valores, princípios que com a liga do amor produzemm uma vida familiar saudável.


Gazeta - Existem pessoas que acham que relacionamentos extraconjugais é uma coisa natural, o que o senhor tem a dizer sobre isso?
Bp.Alexandre Ximenes - Meu eixo de vida é a Bíblia, e, nela está claríssimo que toda relação extraconjugal é desobediência, transgressão, pecado. Há um simbolismo maravilhoso no casamento, e, por isto, deve ser preservado. Claro que se alguém falha, a graça de Deus e o Seu amor se fazem presentes para restaurar. No entanto a Bíblia nos ensina a fidelidade no matrimônio.

Gazeta - Qual o método utilizado para que as pessoas se interessem pelos valores espirituais, visto que, o nosso mundo pós-moderno só leva a necessidade do consumo?
Bp.Alexandre Ximenes - Há métodos e estratégias. Uma delas praticamos com sucesso na nossa Igreja: são os cursilhos, os encontros de casais, os encontros matrimoniais, os encontros de jovens, enfim, estratégias modernas que geram motivação para um maior conhecimento da sadia espiritualidade. O estímulo ao consumo desenfreado é nocivo e destruidor.

Gazeta - O Cursilho da Cristandade seria um saída?
Bp.Alexandre Ximenes - Com absoluta certeza o Cursilho da Cristandade é uma saída. É inimaginável o número de pessoas transformadas por Deus durante um Cursilho. A abordagem, os temas, a ação do Espírito Santo de Deus, tudo coopera para uma auto-avaliação, uma análise pessoal que na maioria das vezes deságua numa decisão por uma vida com Jesus de Nazaré. Descobre-se o verdadeiro sentido da vida.

Gazeta - Por que a maioria das pessoas só lembram de Deus em momentos difíceis? Como mudar esse fato?
Bp.Alexandre Ximenes - O conforto quase não gera reflexão. A dor tem o poder de nos fazer parar, pensar e refletir e decidir. Costumo dizer que no 'ôba-ôba' ninguém busca a Deus. Isto acontece quando uma ruptura familiar se aproxima, quando um diagnóstico é avassalador, quando um filho se vai em más companhias, quando a crise financeira se instala, quando a depressão invade, etc.
Estes duros momentos nos levam na maioria das vezes a achar a presença de Deus. É como a ostra, que na dor produz a linda pérola.


Depoimento Pessoal
Além de Bispo da Igreja Episcopal Carismática o Bispo Alexandre Ximenes é Reitor do Seminário Teológico Episcopal Carismatico - SETEC - hoje uma referencia nacional do ensino teológico.
Como ex-seminarista e concluinte da primeira turma
do SETEC, me sinto na obrigação moral de atestar que os três anos que ali vivi foram os mais edificantes de toda a minha existência.
Nesse período sofri as mais terríveis tribulações e dificuldades de minha vida , mas em CRISTO somos mais que vencedores.
Reconheço o imenso privilégio que Deus me concedeu em ter o Bispo Alexandre Ximenes como Reitor, Professor, Mentor, Conselheiro e amigo pessoal.
Sua vida coerente ao que prega e ensina
é um patrimônio de inesgotável valor para todos nós.
George Arribas













5 comentários:

  1. Vanessa Rodrigues de sousa23 de janeiro de 2009 18:35

    Interessante a forma com que podemos ver claramente nossos erros e permanecer neles, sabemos que mimar os filhos de forma exagerada, dar-lhes mais do que o necessário, e não ensiná-los a ter limites só irá prejudicar a eles mesmos que no futuro viverão em eternos conflitos entre aquilo que desejam e sua incapacidade de adquirir, pois terão aprendido a ter as coisas nas mães e jamais lutar por seus objetivos. Ainda existem pais que sentem orgulho e se vangloriam dos sacrifícios (desmedidos e insanos) que fazem por seus filhos, na vã intenção de que os privando de conhecer o sofrimento e os limites na juventude os tornarão no futuro pessoas mais felizes e determinadas, o efeito é sempre contrário e o erro cometido por esse pai é irremediável.

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  2. Que saudade !!!!
    Beijão
    Gláucia

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  3. CARO ARRIBAS
    ESTE DEPOIMENTO DO NOSSO BISPO, É LICÃO PARA NÓS, ETERNOS ALUNOS, SEMPRE ÁVIDOS DE SUAS PALAVRAS, POIS NELAS RECONHECEMOS A INTIMIDADE COM O SENHOR.
    GRATO POR NOS DAR MAIS UMA CHANCE DE "OUVIR" E SER ALIMENTADO NO ESPÍRITO.
    PAX
    TÚLIO

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  4. Arribas, veio de guerra
    Aprendi este brado carinhosos, que reproduz a imagem do guerreiroi incansável, sempre exalando um ar de renovo, bufando esperança.
    Você, nobre escritor, parece ventania. Refresca e incendeia, com sua verve poética que respira literatura e denuncia uma sensibilidade díspare.
    Ao navegar em seus escritos, percebe-se a coragem de estar numa nau ensandecida de amor, dum mar de emoções indescritíveis.
    Amas a vida e isso se evidencia em sua paixão por Jesus de Nazaré.

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  5. Vale à pena estar por perto do velho e bom George... a qualquer instante você pode se surpreender por um farfalhar de folhas, mudando um ambiente de outono.
    Deus te abençõe, de maneira doce, rica e abundante
    Ame a vida. Viver ainda é a maior aventura.
    Com carinho, Jayme Lielson

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